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id da página: 5879 Tempo – Intemporalidade

Intemporalidade

Tempo – Intemporalidade


Wei Wu Wei

I
O pensamento é discursivo e, portanto, sujeito à serialidade do tempo. É por isso que o pensamento deve ser evitado na busca pelo despertar para a intemporalidade, e essa é a única e suficiente razão para tal evitação.

O “pensamento único”, ou “pensamento do Absoluto”, ou ainda “pensamento absoluto”, conforme a escolha do tradutor, mencionado por Shen Hui, é não discursivo, instantâneo, espontâneo e sem duração cognoscível. Toda duração que ele adquire é adquirida fenomenicamente, sujeita ao espaço-tempo, interpretada como um pensamento posterior — o que significa que a apreensão original é tornada compreensível de modo dualista. Quando isso ocorre, o “pensamento único” já se perdeu, e o despertar foi ultrapassado.

Todo “evento” que se torna dialeticamente compreensível está sujeito ao espaço-tempo. A noumenalidade é inteiramente intemporal, e apenas o intemporal é o que nós somos, em oposição ao temporal, que é nossa aparência manifestada como espaço-tempo. Toda experiência sensorial é temporal; somente quando a mente está “em jejum” estamos em estado de disponibilidade. Essa é a explicação, simples e evidente, do ensinamento essencial dos Mestres, bem como dos “métodos” imaginados e sugeridos para tornar “nós” disponíveis à reintegração na intemporalidade consciente. A conceitualidade, portanto, é uma barreira absoluta à integração direta. Essa compreensão deve abolir todos os aparentes “mistérios” doutrinários. As religiões tentam ensinar isso, mas sem compreendê-lo; fazem disso um “santo mistério” e erigem sobre ele uma estrutura imensa de mitologia abstrata e concreta. É um Caminho, sem dúvida, mas necessariamente o mais desviado possível.

II
Todas as formas de “discriminação” e “meditação” implicam atividade de uma mente dualista ou dividida, cujo funcionamento aparente depende da duração; ou, se não implicam isso, tais termos não estão sendo usados com o único sentido que etimologicamente podem ter, e, por conseguinte, são inadmissíveis neste contexto, pois sem exatidão semântica a compreensão precisa torna-se inviável. Do mesmo modo, “disciplina espiritual”, métodos, técnicas e práticas, de qualquer natureza, são necessariamente volitivos e sujeitos à duração, de modo que todas essas formas de esforço são incompatíveis com a reintegração na intemporalidade e devem ser obstáculos a sua ocorrência.

Tudo isso parecia familiar ao grande filósofo metafísico chinês Chuang Tzu, supremo expositor do Tao, assim como a seu predecessor Lao Tzu. Seu ensinamento sobre a ação não volitiva e o jejum da mente, sendo intemporal, indica o caminho que conduz diretamente à visão interior da intemporalidade — ensinamento posteriormente incorporado, embora algo obscurecido pelo misticismo, ao budismo Mahayana, e que atingiu seu auge no Veículo Supremo, tal como pregado pelos grandes Mestres despertos da dinastia T’ang, ensinamento que ainda sobrevive, embora em declínio, no Ch’an moderno e no Zen japonês.

III
A libertação é a liberdade da servidão da duração — pois a aparente “servidão” da identificação fenomênica é inteiramente um efeito da serialidade ou do “tempo”. Além disso, quaisquer que sejam as noções implicadas por karma e “renascimento”, todas são causais, dependentes de sequência, fenômenos temporais; de modo que, conforme é ensinado, devem desaparecer imediatamente com a integração na intemporalidade.

O universo aparente é manifestado na mente, por meio dos cinco sentidos que parecem percebê-lo e do sexto que o reconhece, sendo composto exclusivamente dos três componentes — as direções de medição fenomênica, ou “espaço” — e da quarta medida, que é o tempo, constituindo o conjunto uma objetivação do não-objetivo, e, portanto, um supervolume informe e “vazio”, que é a Intemporalidade.

Assim, o universo fenomênico é a Intemporalidade ou o Noumenon manifestado objetivamente no volume tridimensional por meio da serialidade do “tempo”. Reintegrado, é pura noumenalidade intemporal.

IV
Não podemos conceber coisa alguma fora de um contexto temporal. A intemporalidade é rigorosamente impensável, isto é, impossível de conceber. Essa simples afirmação explica por que o “pensamento” e a “conceitualidade” são sempre apresentados pelos Mestres como o obstáculo ao “despertar”.

O despertar é o acordar do sonho do tempo serial para o estado normal daquilo que intemporalmente somos. Por que não somos capazes de conhecer conceitualmente a intemporalidade? Por que a intemporalidade é inconcebível?

Não se vê a resposta? Quem está tentando conhecer quem? O que persegue o quê? Caudas que os gatinhos não conseguem apanhar!
Por que não podemos objetivar a Intemporalidade?
Não há duas mentes. Essa é a razão. Grandes Mestres, tão distantes no tempo e no espaço quanto Huang Po e Ramana Maharshi, afirmaram isso categoricamente — um em contexto budista, outro em contexto vedantista —, e todos os grandes Mestres o implicaram.
Uma “mente”, como tal, não pode pretender objetivar aquilo por meio do qual ela é capaz de objetivar, pois, fazendo isso, estaria objetivando o que ela mesma é. Somente a volição busca, e a mente não responde. Como poderia uma mente objetivadora objetivar a mente objetivadora que está objetivando?

Aquilo que está objetivando a partir da intemporalidade é aqui chamado de “mente”, mas não há duas, nem são diferentes. Como poderiam ser duas? Como poderiam ser diferentes? Temos duas cabeças fenomênicas? Ou sequer uma? São apenas duas imagens conceituais, usadas para fins descritivos — uma em terminologia psicológica, outra na da física —, e ambas são descrições provisórias daquilo que somos.


Coomaraswamy Termos Pali

akaliko. En Samyutta Nikaya I.11-13, una Yakkhi pregunta al Buddha lo que se entiende por la designación del Dhamma como «intemporal» (akaliko), es decir, «eterno». El Buddha responde que la vida eterna solo puede realizarse con la comprensión de lo que-puede-decirse: «Aquellos que atienden solo a lo que puede decirse (akkheyyam, es decir, a la narración misma akhyanam), que se apoyan en lo que puede decirse, que no comprehenden plenamente lo que puede decirse, estos caen bajo el yugo de la Muerte: pero el que comprehende plenamente lo que puede decirse, no hace ningún debate acerca del orador (akkhataram na mannati, donde la referencia de akkhataro es al Buddha mismo, como en Sutta-Nipata 167), puesto que reflexiona para sí mismo (iti) "Ello no es suyo"» (tam hi tassa na hoti), y así no comete ningún error (yena nam vajja na tassa atthi)». La Yakkhi no comprende y pide al Buddha «que explique en detalle el significado de lo que se ha dicho resumido» (samkhittena bhasitassa vittharena attham janeyyam). El Buddha expone entonces, más explícitamente, la doctrina de akimcanna, por medio de la cual él ha respondido ya, a uno y el mismo tiempo, a la referencia equivocada de la Yakkhi al Buddha, como «rodeado por otros Devatas poderosos», y a su pregunta actual, en cuanto al significado de «atemporal» (akaliko): «Él (el Buddha) es contrario (vivadetha, con referencia al vajja tassa precedente) a quien piensa en términos de "igual, mejor o peor"», es decir, a quien considera al Buddha como «alguien». Ella todavía no comprende (como antes). El Buddha dice más explícitamente, «Al que ha acabado con el "número", a él ni los dioses ni los hombres, ya sea aquí abajo o ya sea allí en el más allá, pueden alcanzar» (pahasi sankham. tam. najjhagamum deva manussa idha va huram va). Por último ella comprende el significado del Buddha (attham): «atemporal» solo puede aplicarse a una doctrina que no ha sido ensenada por «alguien»; el dhamma es akaliko porque es, no la «opinión» «fechada» de Fulano (que sea un hombre o una deidad personal, es irrelevante aquí), sino la Verdad misma. Ni el Buddha ni el Dhamma están «en el tiempo», sino solo sus manifestaciones, que no deben tomarse absolutamente, sino que deben ser penetradas y verificadas. La designación del Dhamma como «atemporal» es la forma budista de la bien conocida doctrina india de la «eternidad del Veda», para la cual hay buenos equivalentes cristianos, por ejemplo, San Agustín, De lib. arb. I.6, Lex, quae summa ratio nominatur, non potest cuipiam intelligenti non incommutabilis aeternaque videri; Santo Tomás, Summa Theologica I-II.91.1, divina ratio nihil concipit ex tempore, etc. «Dhamma» difícilmente podría traducirse en Latín mejor que por Lex, quae summa ratio nominatur, aeterna, divina ratio. La objeción del erudito moderno a la doctrina de la eternidad de la Palabra, la Ley o el Dhamma, se basa sobre una comprensión errónea de lo que se quiere significar; como observó Santo Tomás, Summa Theologica, ídem, «La Palabra Divina y la escritura del Libro de la Vida (que corresponde a la vidya implicada en «Jatavedas» y a «Providencia») son eternas. Pero la promulgación no puede ser desde la eternidad por parte de la criatura que escucha o lee». La doctrina de la eternidad de la summa ratio es la misma que la doctrina platónica de las ideas; la de su promulgación temporal corresponde a la aparición de las sombras sobre el muro de la caverna. En los textos budistas encontramos, de la misma manera, que el Dhamma se describe a la vez como sanditthiko, manifiesto, y como akaliko, no en el tiempo. Pues, tomando las palabras de San Agustín, «Esta sabiduría no es hecha; sino que ella es en este presente, como siempre ha sido y como siempre será» (Confesiones IX.10). Hay otros muchos textos en los que el Buddha identifica a él mismo, al Dhamma y a Brahma; el Dhamma es, por consiguiente, temporal e intemporal, de la misma manera que el Brahman, una única esencia con dos naturalezas, es kala y akala (Maitri Upanishad VI.15, etc.), «tiempo y sin-tiempo», y por lo tanto también sakala y akala, «con y sin partes». Expresado de otro modo, el Brahman es, por una parte, el brahman audible = mantram, y por otra, silente: sabda y asabda, «vocal y silente».